quarta-feira, 26 de maio de 2010

. válvula de escape


contra o vento frio, era a pele gelada quem roubava o calor de cada lágrima frígida escorrendo por meu rosto. como suicidas, elas se jogavam, mergulhavam dos meus olhos tentando uma forma de escape do meu corpo - assim como minha mente também faria, se fosse possível. enquanto fugiam, levavam o oxigênio como refém, esgotando as mínimas reservas de auto-controle.
o asfalto escuro fundia-se a noite, e o soturno silêncio de cada esquina ecoava os fantasmas em minha mente repetindo com veemência: você está sozinha. de novo.
a coragem causava medo, por saber que só haveria um caminho; arriscado, árduo e, sobre tudo, sem volta. mas era isso, ou ficar parada. o que, nesse caso, não era uma opção.

" guarde os pulsos pro final. saída de emergência. "


sexta-feira, 9 de abril de 2010

. nulo


não me lembro da última em vez que senti isso - ou não senti. a quietude, imobilidade, os gritos mudos do silêncio. o medo do movimento, o conforto no abismo, a falsa paz no torpor. a ausência do calor, da luz, das cores que eu costumava ver.

movi o braço - mesmo sem sentir este ou qualquer outro membro do meu corpo - , agitei os dedos e em nada toquei. já não via nada, nada ouvia, me doía até a ausência do desespero.
um passo à frente, nada senti - nem o chão, nem o ar, nem a falta deles. nada.
tentei me lembrar de como eram os sentimentos, mas... nada também.
pulsação. aonde estaria ela? também sumira, assim como tudo e todos - se é que um dia existiram.

vi algo que nunca antes vi, um ponto de luz minúsculo e diferente, com cores indescritíveis e incontáveis. me aproximei, tentei tocar e...

... nada? não sei. acordei.