terça-feira, 21 de abril de 2009

Não vale a pena .

Ficou difícil, tudo aquilo, nada disso. Sobrou meu velho vício de sonhar, pular de precipício em precipício, ossos do ofício; pagar pra ver o invisível e depois enxergar que, é uma pena, mas você não vale a pena, não vale uma fisgada dessa dor, não cabe como rima de um poema, de tão pequeno. Mas vai e vem e envenena e me condena ao rancor. De repente, cai o nível e eu me sinto uma imbecil; repetindo, repetindo, repetindo como num disco riscado, o velho texto batido dos amantes mal-amados, dos amores mal-vividos e o terror de ser deixada, cutucando, relembrando, reabrindo a mesma velha ferida e é pra não ter recaída que não me deixo esquecer que é uma pena, mas você não vale a pena.

(Maria Rita)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Isso me assusta ...

Eu acho que a solução agora é deixar rolar. E isso me assusta.
Me assusta o fato de não ter você aqui .
Me assusta não ter certeza das coisas que você diz e faz .
É estranho o jeito que você lida comigo .
Eu não posso ser quem você é .
O seu mundo, tão fechado, é terra de pequenos e frágeis gigantes ; mas gigantes que eu temo ter de enfrentar sozinha ...
E nesse lugar tão escuro e frio que eu chamo de mente , eu tenho tentado projetar algum tipo de saída pra escapar do que eu sinto . As portas têm ficado cada vez menores enquanto eu grito e ninguém pode me escutar . As minhas lágrimas tão frias parecem não ter efeito sobre você ...
E isso me assusta ...