terça-feira, 18 de agosto de 2009

. sigilo forçado

foi estranho. não no sentido ruim da palavra. um sentido... estranho. o tempo mudou de repente, parece que previa os acontecimentos a seguir. o céu azul, deu lugar a uma espessa camada de nuvens, que se estendiam ao longo do prédio - ou do bairro, minha inquietação não me permitiu reparar - . enquanto o silêncio cortante inundava a sala, eu ouvia - e até sentia - o peso da chuva que começara a cair lá fora. parecia me pressionar contra o chão, enquanto meu coração não encontrava um ritmo certo pra continuar. eu pensava milimetricamente nas palavras e, mesmo quando achava as que pareciam "certas", não conseguia dizê-las; algo as segurava, trancava, amarrava-as num nó em minha garganta, um sigilo forçado, embora que fosse o que eu, no fundo, quisesse.
ouvi a chuva apertar. pude sentir o aperto involuntário de meus braços contra meu próprio corpo. frio, talvez. mas acho que não. eu estava nervosa. meu estômago embrulhado confirmava essa segunda hipótese. não tinha ideia de como começar, o que dizer ao certo, se nem o que eu pensava ainda estava muito claro para mim. precisei de alguns minutos encarando o carpete branco para poder me concentrar. sua presença tornava as coisas mais difíceis, o medo de dizer algo errado, de magoá-lo ou algo do tipo. mas ao mesmo tempo, me tranquilizava - você sabe que sempre teve esse poder sobre mim - . olhar seus olhos castanhos claro, sentir o calor do seu corpo, tão próximo do meu, era como um remédio, uma droga: viciante, necessário e um calmante imediato, ainda que as circunstâncias não permitissem.
cambaleei sobre algumas frases, pensei bastante até conseguir começar um diálogo decente. não demorou muito para que algumas lágrimas teimosas rolassem sobre o meu rosto. apesar de tudo, eu não conseguia pensar num modo de ter você longe de mim, não, isso era não era uma opção válida. mas também não poderia ignorar os fatos, afinal, isso não os alterariam. a verdade é que não conseguiria manter aquela postura fria e centrada durante muito tempo. e nem fora necessário. me acolhia o modo como enxugava minhas indesejadas lágrimas e, me surpreendeu o jeito que, mesmo que as coisas não estivesse muito bem, você se aproximava de mim e me beijava o rosto. foi o necessário para saber que não seria algo tão pequeno que tiraria você de mim ou eu de você. também é verdade que qualquer coisa me parecia - ou parece - muito pequena pra acabar com isso tudo. e vai ser assim, só enquanto eu respirar ♥

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

. inevitável

eu queria me preocupar menos, eu juro. mas não dá. querer proteger você, é meio que inevitável, não tem como ignorar isso. pode até fazer mal à mim, ou aos outros, quem sabe. mas é demais pensar que pode te machucar. talvez eu seja egoísta demais pra perceber que você precisa cair pra se levantar também, porque eu sei que doeria bem mais em mim, do que - muitas vezes - em você mesmo, uma quedinha que fosse. nunca parei para pensar no quanto eu me sinto segura com você e, realmente queria que fosse verdade que nada de ruim acontecesse contigo. comigo não, eu me viraria. mesmo sendo mais frágil, talvez. mas, infelizmente, a chuva não cai só pra mim; e cuidar de você é a minha sina. é incontrolável. não me culpo por isso. aliás, a culpa é completamente sua. quem mandou fazer eu me apaixonar por você? hoje, eu só entendo que amor é muito superficial pra descrever nós dois ♥

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

. é singular, é plural, é por você, é por nós dois

o seu cheiro tem me torturado constantemente, enquanto me apóio sobre o queixo, com a palma da mão esquerda e esbarro em meu casaco vermelho, esse, agora com um perfume tão familiar. não dá pra não sentir sua falta. você sabe como me conquistar a cada dia. com cada sorriso seu, cada pequena demonstração de amor por mim, cada ligação e brincadeira, coisas que você faz que, em cada mínimo detalhe, são únicas e especiais de forma singular. eu me apaixono todo dia pela cor dos seus olhos, pelo calor dos seus braços, pelo conforto do seu colo. é impossível não sorrir ao pensar em você, cada célula do meu corpo sente a sua falta quando não estamos juntos. eu não sei o nome disso, mas amor parece muito vago, muito fútil, muito pequeno. quem sabe um dia eu ainda vou saber explicar, ou pelo menos entender a intensidade disso ♥