sempre me observaram, aquelas janelas. olhavam-me com profundo interesse, pouco entendido por mim. diziam coisas distintas, coisas muito diferentes das que dizem hoje. hoje, me observam sorrir mais largo, andar mais leve, cantarolar pelos cantos aquela canção tantas vezes repetida, que ainda assim não se torna cansativa.a casinha branca, de portas e janelinhas azuis, agora diz coisas diferentes. ouço suas cortinas dançando, cantando entre si, sobre minha alegria singular, ainda que plural. elas cantam, elas contam que encontrei-lhe. narram o motivo de minha felicidade. descrevem o brilho dos meus olhos ao te encontrar. dançam ao som da canção que despertastes em mim; a nova melodia que gostei de escutar. melodia, sinfonia, o som da tua voz. o único som sedativo, calmante pra mim. o que eu não canso de escutar, o que me faz feliz, o dono e razão de meus sorrisos. e que as janelinhas azuis continuem a me ouvir cantarolar o motivo de minha alegria; que esse som permaneça, ainda que as canções se modifiquem, pois és o único a possuí-las. e será assim, infindavelmente.
pra você
guardei o amor, o amor que sempre quis mostrar ♪
guardei o amor, o amor que sempre quis mostrar ♪

