quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

. período soturno


a lua estava encoberta - assim como minhas velhas cicatrizes deveriam estar. assim como estariam, se não tivessem sido tão fria e bruscamente reviradas e remexidas. agora, eu posso sentir cada gota morna do meu sangue escorrendo, cada imagem do passado sendo revirada; cenas que há muito eu me prometera não mais cotejar, achando que assim, estariam mortas quando novamente me lembrasse delas. mas não estavam. não estão. a cada pulsação, a cada piscada de olhos eu as vejo tatuadas no interior de minhas pálpebras...

... já decorei. as cores, os prédios, as mesmas portas e janelas que sempre me espiavam. o tempo passa. agora está escuro, tudo à minha volta obedece à esta ordem. só identifiquei alguns pontos de luz - postes, que estiveram sempre ali observando em silêncio. ah... o silêncio. por quanto tempo eu fiquei a sós com ele?

está frio, agora. restaram apenas aquelas molhadas linhas quentes escorrendo pelo meu rosto - quando elas vão parar? eu estive sentada aqui durante algum tempo. e sei que essas memórias passadas, tão presentes, irão permanecer nesse futuro próximo. pelo menos por enquanto...

agora venta. a brisa agita meus cabelos contra o meu rosto, despenteando e bagunçando minha franja. me levantei e senti uma gota fria na ponta do nariz - essa era diferente daquelas que desciam pelos meus olhos e se arrastavam rosto à fora. nuvens se formando. sentei novamente.

só mais uma dose de silêncio.