quinta-feira, 18 de março de 2010

. lítio


ventava. eu podia sentir os nós se formando nas pontas do meu cabelo. à esta altura, só havia mais uma espectadora nesse grande teatro. pálida como nunca, a lua continuava lá, assistindo no seu camarote macio e solitário, a todos os caminhos turvos que eu tomava. não opinava em nenhum, tampouco se importava se eu sabia aonde ia. e eu não sabia. andava sozinha; ouvindo o silêncio da minha pulsação, os fantasmas na minha voz. agora não sinto; a indiferença me toma com certo torpor, de modo que a dor se auto-anestesia, embora que temporariamente.

lítio.

... agora, dói.